Especialista em mundo digital afirma que lei contra campanha política na web não vai funcionar
8/9/2009
Gabriel Rossi, profissional especializado na criação e gestão de reputação de marcas e empresas no mundo digital, acredita que, ao contrário, os eleitores brasileiros serão impactados como nunca pela internet na campanha política 2010
O projeto de lei que tramita no Congresso e que limita a campanha política em 2010 não conseguirá restringir de fato que o marketing eleitoral aconteça na internet. Esta é a opinião do especialista em comunicação de marcas e empresas na web Gabriel Rossi.
Segundo Rossi, o fenômeno das plataformas sociais, que permitem a rápida disseminação de ideias e o boca a boca frenético no ambiente digital, não permitirá que a campanha eleitoral esteja alheia e não adentre a internet.
O projeto de reforma eleitoral aguarda votação no plenário do Senado Federal, mas algumas importantes figuras políticas de partidos distintos, como os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP), Arthur Virgilio (PSDB-AM) e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também se manifestaram contrários à regulamentação. A proposta original restringe blogs, sites e portais na internet de emitirem opinião favorável a um candidato.
“É inevitável que, em plataformas como Twitter e comunidades de sites de relacionamento, como Orkut e Facebook, surjam diversas conversas e comentários a respeito de algo que está nas ruas – que é a campanha política, independentemente da lei”, afirma Gabriel Rossi. Para o especialista, é utopia acreditar que os cidadãos não vão participar de algo que é tão presente na vida delas como uma eleição presidencial, que motiva paixões e opiniões diversas. “Com a chegada da web social, ou seja, a partir do momento que o internauta pode cada vez mais amplificar suas experiências e emoções, de pouco valerá restrições como esta, pois a campanha, de uma forma ou de outra, deverá migrar para o mundo virtual por meio das pessoas. As pessoas já se habituaram a utilizar estas ferramentas, que deixaram de ser simplesmente um modismo de internet para se tornar algo presente no dia-a-dia de todos.”
O aumento do número de brasileiros que acessam a internet e o alto número de horas que o consumidor no País passa na internet, ao contrário, tornará a eleição 2010 mais digitalizada do que nunca. “É possível que o Brasil reviva algo próximo ao fenômeno que ocorreu na eleição de Barack Obama - não necessariamente vindo dos candidatos (até mesmo pela restrição causada pela nova lei em vigor) - em que a internet teve papel fundamental e acabou por reinventar o relacionamento de políticos com seus constituintes”, analisa Rossi.
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